O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento que traz prejuízos no convívio social e outras áreas do desenvolvimento, dependendo de onde o indivíduo se enquadra, considerando que trata-se de um espectro.
Quando houver suspeita de TEA, o que aplicar?
Se você tem essa dúvida, leia até o final que apresentaremos opções gratuitas de escalas de rastreio/triagem de TEA.
ATA
A Avaliação de Traços Autísticos é um questionário utilizado por profissionais diversos para averiguar o risco de autismo em crianças. Pode ser aplicada a crianças a partir dos 2 anos de idade e é considerada uma ferramenta pré-diagnóstica bastante confiável. Sua utilização é fácil, de modo que possa ser preenchida também pelos próprios pais ou responsáveis.
A pontuação da ATA é feita da seguinte forma: são 23 subescalas, cujas pontuações variam de 0 a 2 cada, sendo “0” quando não há presença de qualquer dos comportamentos citados naquela subescala, “1” quando a criança apresenta apenas um dos vários subitens citados ou “2” quando apresentar dois ou mais subitens. Se o resultado alcançar 15 pontos, há risco de TEA, sendo mais severo quanto maior for a pontuação.
ABC/ICA
A escala ABC vem do nome em inglês Autism Behavior Checklist. No Brasil ela foi traduzida e adaptada para ICA (Inventário de comportamentos Autísticos). A escala possuí 57 itens, e foi dividida em 5 áreas de sintomas: 1 – Estímulo Sensorial (ES); 2 – Relacionamentos (R); 3 – Uso do corpo e de objetos (CO); 4 – Linguagem (LG); 5 – Desenvolvimento pessoal e social (PS).
Dentro da coleta de dados na escala ABC existe um protocolo para a marcação de cada comportamento da criança, sendo que cada item pode pontuar de 1 a 4.
• 17 itens pontuados com nota 4
• 17 itens pontuados com nota 3
• 16 itens pontuados com nota 2
• 7 itens pontuados com nota 1
Cada questão está dentro de um sintoma e possui uma pontuação específica (de 1 a 4). Deve-se somar a pontuação de cada sintoma, depois, somar todos os pontos que darão um escore final, que pode ser: a) > 67 - Alta probabilidade de TEA; b) 54 a 67 - Probabilidade moderada; c) 47 a 53 – Inconclusivo; d) < 47 - Baixa probabilidade.
CARS
A escala CARS – Childhood Autism Rating Scale é um instrumento para coletar e organizar observações comportamentais de crianças até 30 meses de idade. Ela é composta por 15 itens, que avaliam a condição da criança, somando-se a pontuação tem-se o resultado.
A pontuação varia de 15 a 60 pontos, chegando a 30 pontos o autismo é caracterizado. Caso a criança atinja a pontuação maior que 37 é considerado um autismo nível 3.
M-CHAT
O M-CHAT (Modified Checklist for Autismo in Toddlers) é um questionário para o rastreio de TEA em crianças de 16 a 30 meses. Resultados superiores a 3 (falha em 3 itens no total) ou em 2 dos itens considerados críticos (2,7,9,13,14,15 – destacados na planilha), há risco de TEA.
Desde outubro de 2025, o M-CHAT passou a ser inserido em consultas do SUS, o que amplia ainda mais sua aplicação e evita que o TEA passe despercebido pelas famílias.
Esses e outros testes de rastreio estão disponíveis na Plataforma AIC-Pro (Plano TEA infantil) para a aplicação, geração de quadro, gráfico, apresentação dos testes e relatório automático editável.
Referências
ASSUMPÇÃO JR., F. B.; KUCZYNSKI, E.;GABRIEL, M. R.;ROCC, C. C. Escala de avaliação de traços autísticos (ATA): validade e confiabilidade de uma escala para a detecção de condutas artísticas. Arq. Neuro-Psiquiatr. v. 57, n. 1, 1999. https://doi.org/10.1590/S0004-282X1999000100005
LOSAPIO, M. F.; PONDÉ, M. P. Tradução para o português da escala M-CHAT para rastreamento precoce de autismo. Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, v. 30, n. 3, 2008. https://doi.org/10.1590/S0101-81082008000400011
MARTELETO, M. R. F.; PEDROMÔNICO, M. R. M. Validade do Inventário de Comportamentos Autísticos (ICA): estudo preliminar. Brazilian Journal of Psychiatry, v. 27, n. 4, 2005. https://doi.org/10.1590/S1516-44462005000400008
PEREIRA, A.; RIESGO, R. S.; WAGNER, M. B. Autismo infantil: tradução e validação da Childhood Autism Rating Scale para uso no Brasil. Jornal de Pediatria, v. 84, n. 6, 2008. https://doi.org/10.1590/S0021-75572008000700004